quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A Função Social da Escrita, por Lisandra Olinda R. Neves

Neste breve texto, enfatizamos a necessidade da escola analisar a função social da escrita, reconhecer a existência de grupos sociais onde há crianças mais favorecidas e menos favorecidas no contato com o mundo da escrita e por fim, acreditamos que a primeira ação que a escola deve fazer é descobrir qual o grau de letramento das crianças. Toda criança que entra na escola já tem uma bagagem cultural, há um conhecimento prévio, quando o professor conhece e avalia as situações já vividas pelo estudante é possível fazê-lo avançar. Algumas crianças estão em maior contato com a escrita, veem seus pais lendo, tem contato com revistas, jornais, computador/internet, enfim, sentem a necessidade que a escrita tem no contexto social, mesmo que inconscientemente. Já outras crianças, que não têm os mesmos estímulos acima citados, a escola assume um papel crucial para o favorecimento do letramento desses. Lendo e escrevendo com fluência a criança passa a exercer sua cidadania nesse mundo letrado. A criança é capaz antes mesmo de ingressar na escola de reconhecer rótulos de embalagens, nomes de lojas... sendo esse o conhecimento prévio.Entram num processo pré-silábico, fazem seus rabiscos, desenhos, mais adiante percebem que para escrever tem que usar letras, e assim vão desenvolvendo as fases para construírem sua aquisição da leitura e a escrita. Mas, por que algumas crianças criam aversão pelo ato de ler e escrever, sendo que essa seria a razão primeira para sua entrada na escola? Celso Ferrarezi Jr* diz que, a criança assistida reconhece a importância da leitura e da escrita, onde se deve mostrar a utilidade de ambas. Isso acontece com todo o ser humano quando enxerga nitidamente essa utilidade. A escola enquanto instituição social, inserida na sociedade letrada é que irá ajudar o indivíduo a organizar seu saber. É preciso tornar os estudantes capazes de compreender o significado dessa aprendizagem, para usá-la no dia-a-dia de forma a atender as exigências da própria sociedade, promovendo o letramento. *Ferrarezi Jr, Celso. Discutindo linguagem com professores de Português, 2000. São Paulo, Terceira Margem p. 164.

domingo, 13 de janeiro de 2013

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Ordem, Educação e Progresso A relação de distanciamento entre eleitores e elegidos é grande, falta ao povo o conhecimento crítico, uma das habilidades mais necessárias e ao mesmo tempo mais difíceis de praticar em qualquer campo do conhecimento. A televisão atinge hoje, milhares de lares brasileiros, de todas as classes sociais, ou seja, são horas assistindo a lixo. Há quase uma unanimidade da mídia em defender pontos de vista de uma ideologia neoliberal, então se assimila essa ideologia acreditando que o desemprego, a exclusão social, a má distribuição de renda, a pobreza, o analfabetismo são situações inevitáveis. Não se tem consciência que esse rumo pode ser mudado com o empenho da sociedade civil. Como essa situação poderia mudar através da educação? Não se pode fazer uma mudança profunda na escola enquanto não se faça uma mudança social também profunda. Mas já que essa mudança total e profunda não vem, o que se pode mudar é a postura da escola, do professor. A partir do momento, que o professor nega essa mentalidade neoliberal e toma como seu o compromisso de formar em seus alunos um espírito crítico, ele será um elemento modificador não conservador. Mostrar-lhes a causa da pobreza, do desemprego, do analfabetismo, como a classe dominante se mantém no poder e com os oprimidos podem modificar sua situação. Como disse Paulo Freire: ‘ Trata-se na verdade (...), desafiar os grupos populares para que percebam em termos críticos, a violência e a profunda injustiça que caracterizam sua situação concreta não é destino certo ou vontade de Deus, algo que não pode ser mudado.” "O capitalismo de hoje não recusa o direito à escola. O que ele recusa é mudar a função social da escola." - (A. Lettieri)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Declaração de amor a Pedagogia


Eu juro,
Juro que criei esse blog para escrever descontraidamente, ludicamente, poeticamente.
Desisti, porque escrever assim, é vocação.
Não me pergunte a razão, não sei, só sei que prefiro leitura técnica, escrita técnica, especialmente relacionado a Pedagogia, essa senhora idosa, geniosa e complexa.
Minha vocação é a pedagogia... com todos os seus percalços.
Essa senhora me cativou desde muito cedo, e uma vez junto dela, conheci muitos teóricos que constituíram a profissional que sou hoje.
Mas, não sou cega, sei que a Pedagogia precisa ser repensada, a escola pública renovada, socialmente a escola só será reconhecida quando der o retorno que a sociedade precisa: ensinar; e as políticas públicas deveriam contribuir para isso.
Nóvoa, em seu texto, Pedagogia: A Terceira margem do rio diz que "o maior desafio da Pedagogia hoje é ensinar os que não querem aprender" e argumenta ainda que, uma pedagogia nas mãos dos professores conseguirá reintroduzir sentido na escola e nas aprendizagens...Todos os personagens envolvidos devem dar sua parcela de contribuição, com ética, compromisso.
Hoje ouvi discursos que me preocuparam,e me remeto a Paulo Freire (Pedagogia da Autonomia): "Um dos piores males que o poder público vem fazendo a nós, no Brasil, historicamente, desde que a sociedade brasileira foi criada, é o de fazer muitos de nós correr o risco de, a custo de tanto descaso pela educação pública, existencialmente cansados, cair no indiferantismo fatalistamente cínico que leva ao cruzamento dos braços. "Não há o que fazer" é o discurso acomodado que não podemos aceitar.
A luta é grande e árdua, muito há o que fazer, mas juntos podemos muito. A vida é assim, dura e doce, leve e pesada, desistir é a maior das derrotas.
Por Paulo Freire,
Amém!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Vergonha, Náusea

#Uma operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã de hoje resultou na prisão de oito dos 24 deputados da Assembleia Legislativa de Rondônia. Entre os sete componentes da Mesa Diretora da Casa, apenas um não foi acusado de envolvimento em suposto esquema de fraudes em licitações e contratos do governo do Estado.#
economia.uol.com.br

PARABÉNS À POLÍCIA FEDERAL POR MAIS ESSA AÇÃO!!!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A vida de palhaço do professor no Brasil


Dia 24/02/11, o ministro Fernando Haddad anunciou o novo piso salarial dos professores, que será de R$ 1.187,97 em 2011.O valor representa alta de 15,84% sobre os R$ 1.024,67 adotados no ano passado.
Não se alegre caro colega. Vamos por partes...
No discurso de posse, a presidente Dilma defendeu a valorização do professor com remuneração digna e formação continuada:

"[...] Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da Educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a Educação das crianças e dos jovens.
Somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento". (Dilma Rousseff, 1º de janeiro de 2011)

Pensei... Nossa, agora vai, não vamos mais estar na "rabeira da cadeia profissional".
Então vem o anúncio do piso que o MEC , por lei não pode decretar esse aumento. Para Luiz Araújo,assessor de financiamento educacional da Undime: "Como fazem uma lei sem indicar quem decreta o reajuste? (...)"
Irônico?

Está aí rindo? Hummm... Chorando? Indignado? Marginalizado? Desvalorizado???!!!!!!!!
Calma, há uma série de providências repasses, despachos que o Mec fará.
Tem mais, segundo o CNTE (Confederação dos Trabalhadores em Educação) o valor atualizado do piso deveria ser R$ 1.597,87, considerando a aplicação do percentual de 21,71% sobre R$ 1.312,85, praticado em 2010.

O Professor Dermeval Saviani, em entrevista à Nova Escola, aborda dois pontos importantes em se tratando de políticas de valorização do magistério: 1º) Aumento do piso, jornada de trabalho reduzida em 50 % e o restante para preparar aulas, avaliar a aprendizagem dos alunos, relacionar-se com a comunidade, além de participar da elaboração e da implementação do Projeto Político-Pedagógico da escola.
2º) Aumentar significativamente e de forma imediata os recursos destinados à Educação. O aumento de recursos certamente não é uma condição suficiente, mas é, inegavelmente, condição prévia, necessária e indispensável.
Saviani conclui: "Esperemos, então, que a presidenta Dilma reverta a meta de 7% enunciada no projeto de PNE e destine para a Educação, já no orçamento de 2012, o índice de 10% do PIB aprovado por unanimidade na Conferência Nacional de Educação (CONAE) no início de abril de 2010. Com essa decisão ela estará tomando uma medida de impacto."

=== PARTE 2 ====
Presidenta, olhe por nós professores, faça com que a Educação seja tratada como uma questão de Estado!!
Nos ajude a não desistir...
Por Paulo Freire, Amém!!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Apaixone-se definitivamente pelo seu sonho: o sonho de ninguém deve ser mais apaixonante que o seu.

Apaixone-se pelo seu talento, mesmo que seu senso crítico insista para você escolher realizar outras coisas mais "convenientes".

Apaixone-se pelo seu corpo, mesmo que ele esteja fora de forma, pois de "qualquer forma" ele é a única casa que você possui.

Apaixone-se por aquelas besteiras saudáveis que passam por sua mente entre um e outro momento de estresse, eles ajudam a sobreviver.

Apaixone-se por alguém, não espere alguém se apaixonar antes por você, só por garantia e segurança.

Apaixone-se mais pelo significado das coisas que você conquistar do que pelo seu valor material.

Apaixone-se por suas idéias, mesmo que tenham dito que elas não serviam pra nada.

Apaixone-se pela música que você pode ser para alguém !

Apaixone-se por ser humano!

Apaixone-se definitivamente por você!

Apaixone-se rápido!

O poder de decisão só pertence a Voce! .

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Jornal Escolar como ferramenta pedagógica.



O uso do jornal escolar como ferramenta pedagógica tem como principal precursor o educador francês Celéstin Freinet (1896/1966). Antes dele existiram outras experiências de jornais estudantis porém vinculado ao movimento socialista, ainda no século XIX e algumas outras práticas sistêmicas propriamente escolares.
Mas é com Freinet que a proposta do jornal escolar e da expressão livre da criança ganham amplitude e coerência, integradas como peça central do pensamento pedagógico. Freinet não via muito sentido em deixar os textos das crianças presos em seus cadernos. Criou então uma nova prática: introduziu uma impressora em sala de aula para que as produções escritas e desenhos dos seus alunos ganhassem asas que as levassem além do muro da escola.
A partir daí passou a juntar os textos e desenhos dos alunos que seria enviado para as famílias lerem. Com essa nova prática,os textos dos alunos passaram a ter função social real, pois eram publicados e lidos pelos colegas, familiares e comunidade. Essa visão sistêmica constitui o pensamento mais profundo até hoje elaborado sobre o jornal escolar e suas contribuições nos processos de ensino-aprendizagem, e para o posicionamento da escola na sociedade da informação.
Portanto, coordenadores pedagógicos e professores, usem essa ferramenta preciosa incentivando seus alunos a produzir textos; pois a modernidade necessita de pessoas que saibam comunicar-se !!!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica



O objetivo principal ao participar do Fórum, foi buscar um maior entendimento sobre educação profissional e tecnológica, e seus benefícios a curto e longo prazo para a sociedade de modo geral, como se pode verificar pelas experiências de outros países e também no Brasil nos vários trabalhos expostos no Fórum.
O local de realização foi o Centro de Convenções Ullysses Guimarães, Brasília-DF, no período de 23 a 27 de novembro de 2009.
O FMEPT faz parte do movimento pela cidadania e pelo direito universal à educação que vem sendo organizado pelo Fórum Mundial de Educação (FME) desde 2001.

O principal objetivo do FMEPT foi levantar propostas para o aumento da oferta de educação profissional e tecnológica, as quais se integram com a plataforma mundial de Educação.

A abertura oficial aconteceu no Ginásio Nilson Nelson, 23 de novembro de 2009, com a presença do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e demais autoridades. No dia 24 de novembro de 2009, iniciaram-se as Conferências e demais trabalhos.

A programação do FMEPT foi dividida em três eixos temáticos. O primeiro tratou de Educação, trabalho e desenvolvimento sustentável; o segundo foi sobre Educação, culturas e integração e o terceiro discutiu Educação, ética, inclusão e diversidade.

Concomitante com as conferências, acontecia em outros auditórios do Centro de Convenções: atividades culturais, debates temáticos, atividades autogestionadas e atividades permanentes como Mostra estudantil de inovação tecnológica, mostra de artes visuais, pôsteres (cerca de 750 trabalhos desde o nível médio até pós-graduação, que mostraram conhecimento científico e a descoberta do universo da pesquisa por centenas de jovens estudantes), feira gastronômica, feira da economia solidária, feira do livro e biblioteca.

Os momentos mais marcantes foram as falas do economista Marcio Pochmann, na conferência Educação, trabalho e desenvolvimento sustentável, dia 24/11. Pochmann apresentou o cenário brasileiro para os próximos 30 anos que, segundo ele, haverá aumento da expectativa de vida, queda na taxa de fecundidade e competição acirrada no mundo do trabalho. Frisou que “a educação deverá ser contínua e as pessoas precisam saber como irão se educar”.

A segunda conferência deu-se no dia 25, quarta-feira, Educação, culturas e integração; o conferencista Leonardo Boff (filósofo e teólogo do Brasil e representante no Conselho da Terra)inicia sua fala dizendo que um “outro mundo não é possível, é necessário”, e acentua 7 pontos para reflexão.
01) A nova natureza do desenvolvimento tecnológico, onde a máquina ocupa o lugar do homem;
02) Surgimento da consciência planetária, movimento que cresce no sentido de sermos responsáveis pela Terra-Humanidade;
03) Legado dos astronautas, que vêem a Terra como uma unidade só, uma morada humana, um super organismo vivo produtor de vida;
04) Descoberta do mundo finito. A Terra é pequena com recursos limitados e não-renováveis, Faz-se necessário repensar estratégias de desenvolvimento dos países ricos;
05) A insustentabilidade da Terra. Reconhece-se que passamos 30% da capacidade da Terra de sustentabilidade. O planeta está doente e estamos no vermelho. E diz: “Nossos filhos e nossos netos nos acusarão de não termos cuidado da Terra... Amaldiçoarão-nos”.
06) Colapso do sistema econômico financeiro vigente;
07) Aquecimento Global.
Finaliza dizendo que é preciso criar novos sistemas de produção, baseados em inteligência e espiritualidade e não apenas na lógica econômica do mercado.

A quinta-feira, 26, foi tomada de muita emoção com a Caravana da Anistia, Sessão Pública do julgamento do processo de anistia política de Paulo Freire.
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça que analisou o requerimento feito pela viúva Ana Maria Freire, em 2007, sob a ótica de perseguição política sofrida pelo educador na época da ditadura, também pediu desculpas pelos atos criminosos cometidos pelo Estado. A anistia de Paulo Freire foi recebida às lágrimas pela viúva e pelo público de 3 mil pessoas no auditório principal. Também houve relatos de anistiados políticos, contando sobre os momentos de torturas sofridos nos porões da ditadura, pessoas que não se arrependem do que fizeram, mesmo diante de tantas perdas, foi uma demonstração de amor à Pátria, cidadania, democracia e, sem dúvida, os jovens e os ditos adultos que lá estavam presentes, naquele momento, naquele auditório, não saíram de lá os mesmos que entraram.




Após a sessão de anistia, Moacir Gadotti, conduziu a terceira e última conferência Educação, ética, inclusão e diversidade, ressaltando que “nosso país será plenamente anistiado quando não houver mais analfabetos”.


No dia 27, sexta-feira,o FMEPT encerra com a leitura do documento final com as contribuições resumidas de 15 mil pessoas, sobre as discussões acerca da educação e da formação profissional nas mais diversas áreas. Em suma, o texto defende a união entre trabalhadores, em oposição à concorrência deles. A carta também estabelece uma agenda, com compromissos públicos, como o de aumentar os instrumentos fundamentais para uma melhor educação.

Estiveram presentes estudantes, professores/as, pesquisadores/as, trabalhadores/as, Governos, sindicatos, associações e pessoas da sociedade civil de todo o mundo, cerca de 15 mil pessoas ao todo.




Foi uma experiência única como profissional e cidadã. Como profissional reforçou minha esperança na Educação e no ser humano digno de ter uma educação emancipatória; e cidadã por acreditar que o Brasil através de propostas e políticas públicas comprometidas com a Educação (e outros segmentos da sociedade), pode ser o “berço esplêndido” de muitos brasileiros que estão à margem da inclusão social.


quarta-feira, 25 de março de 2009








A arte, no ambiente escolar, reflete uma crescente necessidade pela busca de um espaço de expressão da criatividade, onde possa haver a construção de conhecimento estético e a liberdade de expressão, entendidas como possibilidade de criação e desenvolvimento da imaginação além dos “moldes” do conhecimento pré-estabelecido. Analisar obras de arte consagradas é uma importante iniciativa de conhecimento histórico, desde que a “cultura” seja entendida como um processo em construção dentro das relações sociais e que o conceito de arte se torne progressivamente mais abrangente, incluindo as manifestações culturais e estéticas de diferentes povos.




A convivência com bens culturais e com os códigos de interpretação desses bens, pode encontrar na escola e nas aulas de arte, um meio de apropriação do conhecimento de diferentes culturas, reinterpretadas num processo de construção de uma sensibilidade estética e de desenvolvimento de um olhar crítico em relação à arte.


Um aluno criativo pode criar e recriar seu mundo e a si mesmo, dentro e fora do universo escolar, num natural inconformismo com o “pronto”, o “estabelecido”. Para viver a criatividade como um potencial humano é preciso viver a capacidade de crítica, a atitude de pensar o mundo e refletir sobre tal pensamento como um processo em construção do qual se é mais que espectador, se é autor do processo.
Texto retirado do artigo: AS IMPLICAÇÕES POLÍTICAS DO ENSINO DE ARTE NO BRASIL Maria Lúcia Wochler Pelaes


















segunda-feira, 16 de março de 2009

Arte Naif

Vaso com flores na paisagem - 80x60- Ernani Pavaneli



A arte naif é uma criação artística instintiva e espontânea realizada por pintores autodidatas que sentem uma impulsão vital de contar suas experiências de vida. Podemos dizer que desde o início dos tempos, quando o homem sentiu a necessidade de criar algo com o único intuito de se deleitar, surgiu a arte naif; assim sendo, ela encontra-se presente ao longo da história da humanidade, pelas mãos de indivíduos que, alheios aos movimentos artísticos, sociais e culturais de sua época, criam unicamente movidos por suas emoções.

A denominação “Arte naif” (aplicada para designar um certo grupo de pintores) como utilizamos atualmente, surgiu no fim do século XIX, com a aparição do pintor francês Henri Rousseau no “Salão dos Independentes”, em Paris.

Atualmente podemos dizer que o Brasil é um dos grandes representantes da arte naif mundial. Por ser um país de imensos contrastes, com uma cultura resultante do amálgama de inúmeras outras (a africana, a européia e a indígena), ele é um canteiro fértil para o surgimento e desenvolvimento dessa forma de expressão artística.

Apesar desse imenso potencial, somente na década de 50, o Brasil começou a dar atenção a esse grupo de artistas, com as primeiras exposições de Heitor dos Prazeres, Cardosinho, Silvia de Leon Chalreo e José Antonio da Silva. Depois desse início, as décadas de 60 e 70, vão conhecer uma verdadeira explosão de pintores naifs brasileiros, tais como: Ivonaldo, Isabel de Jesus, Gerson Alves de Souza, Elza O . S., Crisaldo de Moraes, José Sabóia e muitos outros que juntamente com seus predecessores, estão presentes em nosso acervo.

A arte naif é simples, pura, autêntica e não exige prévios conhecimentos intelectuais e artísticos para ser compreendida, chega direto ao nosso coração e toca nossa alma sem subterfúgios, somente ultrapassando o filtro de nossas emoções.

A Galeria Jacques Ardies convida-o a se deixar contagiar por esse mundo de luzes, cores e alegria oferecido por seus artistas.

quinta-feira, 5 de março de 2009

O "vai e vem" da vida...




Todos os dias me pergunto se estou vestida adequadamente


se o meu cabelo está arrumado


se a minha unha está bem feita


Em determinados momentos penso se fiz a escolha correta


se estou indo pelo melhor caminho


se nao vou me decpcionar (novamente)


Em cada segundo passado tenho a certeza de que poderia ter feito melhor


que poderia ser diferente


Será que isso mudaria o dia do amanhã?


Será que a roupa seria a mais apropriada?


se o cabelo estaria mais bonito?


se a unha estaria sem nenhuma falha?


Escolhas são apenas momentos....


Quando eles passam podemos perceber o erro.






Badá

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Cozinha , Rubem Alves


Qual é o lugar mais importante da sua casa? Eu acho que essa é uma boa pergunta para início de uma sessão de psicanálise. Porque quando a gente revela qual é o lugar mais importante da casa, a gente revela também o lugar preferido da alma. Nas Minas Gerais onde nasci o lugar mais importante era a cozinha. Não era o mais chique e nem o mais arrumado. Lugar chique e arrumado era a sala de visitas, com bibelôs, retratos ovais nas paredes, espelhos e tapetes no chão.

Na sala de visitas as crianças se comportavam bem, era só sorrisos e todos usavam máscaras. Na cozinha era diferente: a gente era a gente mesmo, fogo, fome e alegria.


"Seria tão bom, como já foi...", diz a Adélia. A alma mineira vive de saudade. Tenho saudade do que já foi, as velhas cozinhas de Minas, com seus fogões de lenha, cascas de laranja secas, penduradas, para acender o fogo, bule de café sobre a chapa, lenha crepitando no fogo, o cheiro bom da fumaça, rostos vermelhos. Minha alma tem saudades dessas cozinhas antigas...
Fogo de fogão de lenha é diferente de todos os demais fogos.

Veja o fogo de uma vela acesa sobre uma mesa. É fogo fácil. Basta encostar um fósforo aceso no pavio da vela para que ela se acenda. Não é preciso nem arte nem ciência. Até uma criança sabe. Só precisa um cuidado: deixar fechadas as janelas para que um vento súbito não apague a chama. O fogo do fogão é outra coisa. Bachelard notou a diferença: "A vela queima só. Não precisa de auxílio.


A chama solitária tem uma personalidade onírica diferente da do fogo na lareira. O homem, diante de um fogo prolixo pode ajudar a lenha a queimar, coloca uma acha suplementar no tempo devido. O homem que sabe se aquecer mantém uma atitude de Prometeu. Daí seu orgulho de atiçador perfeito..." Fogo de lareira é igual ao fogo do fogão de lenha. Antigamente não havia lareiras em nossas casas. O que havia era o fogo do fogão de lenha que era, a um tempo, fogo de lareira e fogo de cozinhar.As pessoas da cidade, que só conhecem a chama dos fogões a gás, ignoram a arte que está por detrás de um fogão de lenha aceso. Se os paus grossos, os paus finos e os gravetos não forem colocados de forma certa, o fogo não pega. Isso exige ciência. E depois de aceso o fogo é preciso estar atento. É preciso colocar a acha suplementar, do tamanho certo, no lugar certo.

Quem acende o fogo do fogão de lenha tem de ser também um atiçador.
O fogão de lenha nos faz voltar "às residências de outrora, as residências abandonadas mas que são, em nossos devaneios, fielmente habitadas" (Bachelard). Exupèry, no tempo em que os pilotos só podiam se orientar pelos fogos dos céus e os fogos da terra, conta de sua emoção solitária no céu escuro, ao vislumbrar, no meio da escuridão da terra, pequenas luzes: em algum lugar o fogo estava aceso e pessoas se aqueciam ao seu redor.

Já se disse que o homem surgiu quando a primeira canção foi cantada. Mas eu imagino que a primeira canção foi cantada ao redor do fogo, todos juntos se aquecendo do frio e se protegendo contra as feras. Antes da canção, o fogo. Um fogo aceso é um sacramento de comunhão solitária. Solitária porque a chama que crepita no fogão desperta sonhos que são só nossos. Mas os sonhos solitários se tornam comunhão quando se aquece e come.


Nas casas de Minas a cozinha ficava no fim da casa. Ficava no fim não por ser menos importante mas para ser protegida da presença de intrusos. Cozinha era intimidade. E também para ficar mais próxima do outro lugar de sonhos, a horta-jardim. Pois os jardins ficavam atrás. Lá estavam os manacás, o jasmim do imperador, as jabuticabeiras, laranjeiras e hortaliças. Era fácil sair da cozinha para colher xuxús, quiabo, abobrinhas, salsa, cebolinha, tomatinhos vermelhos, hortelã e, nas noites frias, folhas de laranjeira para fazer chá.

Ah! Como a arquitetura seria diferente se os arquitetos conhecessem também os mistérios da alma! Se Niemeyer tivesse feito terapia, Brasília seria outra. Brasília é arquitetura de arquitetos sem alma. Se eu fosse arquiteto minhas casas seriam planejadas em torno da cozinha. Das coisas boas que encontrei nos Estados Unidos nos tempos em que lá vivi estava o jeito de fazer as casas: a sala de estar, a sala de jantar, os livros, a escrivaninha, o aparelho de som, o jardim, todos integrados num enorme espaço integrado na cozinha. Todos podiam participar do ritual de cozinhar, enquanto ouviam música e conversavam. O ato de cozinhar, assim, era parte da convivência de família e amigos, e não apenas o ato de comer.

Eu acho que nosso costume de fazer cozinhas isoladas do resto da casa é uma reminiscência dos tempos em que elas eram lugar de cozinheiras negras escravas, enquanto as sinhás e sinhazinhas se dedicavam, em lugares mais limpos, a atividades próprias de dondocas como o ponto de cruz, o frivolité, o crivo, a pintura e a música. Se alguém me dissesse, arquiteto, que o seu desejo era uma cozinha funcional e prática, eu imediatamente compreenderia que nossos sonhos não combinavam, delicadamente me despediria e lhes passaria o cartão de visitas de um arquiteto sem memórias de cozinhas de Minas. (...)

Eu gostaria de ser muitas coisas que não tive tempo e competência para ser. A vida é curta e as artes são muitas. Gostaria de ser pianista, jardineiro, artista de ferro e vidro - talvez monge. E gostaria de ter sido um cozinheiro. Babette. Tita. Meu pai adorava cozinhar. Eu me lembro dele preparando os peixes, cuidadosamente puxando a linha que percorre o corpo dos papa-terras, curimbas, para que não ficassem com gosto de terra. E me lembro do seu rosto iluminado ao trazer para a mesa o peixe assado no forno.

Faz tempo, num espaço meu, eu gostava de reunir casais amigos uma vez por mês para cozinhar. Não os convidava para jantar. Convidava para cozinhar. A festa começava cedo, lá pelas seis da tarde. E todos se punham a trabalhar, descascando cebola, cortando tomates, preparando as carnes. Dizia Guimarães Rosa: "a coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia." Comer é a chegada. Passa rápido. Mas a travessia é longa. Era na travessia que estava o nosso maior prazer. A gente ia cozinhando, bebericando, beliscando petiscos, rindo, conversando. Ao final, lá pelas onze, a gente comia. Naqueles tempos o que já tinha sido voltava a ser. A gente era feliz.

Sinto-me feliz cozinhando. Não sou cozinheiro. Preparo pratos simples. Gosto de inventar. O que mais gosto de fazer são as sopas. Vaca atolada, sopa de fubá, sopa de abóbora com maracujá, sopa de beringela, sopa da mandioquinha com manga, sopa de coentro... Você já ouviu falar em sopa de coentro? É sopa de portugueses pobres, deliciosa, com muito azeite e pão torrado. A sopa desce quente e, chegando no estômago, confirma...A culinária leva a gente bem próximo das feiticeiras. Como a Babette (A festa de Babette) e a Tita (Como água para chocolate)...


(Correio Popular, Caderno C, 19/03/2000.)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009


"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."


NELSON RODRIGUES
Criado o COMO te LEIO